Annie Leonard é uma ativista do Greenpeace, apresentadora de um vídeo de aproximadamente 20 minutos, chamado História das Coisas (Story of Stuff, título original). O vídeo narra o processo chamado Economia de Materiais, descrevendo a Extração da Matéria-prima até o Tratamento do Lixo.
Annie traz a visão de que o Governo americano, depois do super crescimento das corporações, passou a ser enviesado, no sentido de atender às necessidades dessas, em detrimento das necessidades do povo americano. Este tipo de atitude é claramente observado no Manifesto Comunista, em uma frase que espelha praticamente toda a primeira parte do vídeo: “O Governo do Estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a burguesia” (MARX, 1848), substituindo-se, obviamente, Estado moderno por Estado contemporâneo. Segundo Marx, os Estados, depois do fim do Feudalismo, passaram a gerir os interesses do capitalismo, e, para isso, sustentar os exércitos de reserva, assegurar o lucro, a posse: “Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais, idílicas. Estilhaçou, sem piedade, os variegos laços feudais que subordinavam o homem a seus superiores naturais, e deixou subsistir entre os homens outro laço senão o interesse nu e cru, senão o frio ‘dinheiro vivo” (MARX, 1848). Annie utiliza esta idéia para mostrar que os governos passaram a preocupar-se mais com o processo capitalista, com a garantia do dinheiro para os burgueses, narrado no restante do vídeo.
Extração:
Marx observa que o trabalho é “um processo entre o homem e a Natureza, um processo em que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com a Natureza” (MARX, 1). Entretanto, não é algo tão claro assim, principalmente em relação aos termos “media, regula e controla”. O homem, de fato, exerce ação metabólica com a natureza, mas não a media, regula e controla, nós passamos a ser controlados pela tecnologia, aqueles que efetivamente trabalham na extração, são servos: “Na fábrica, ele é um servo da máquina” (MARX, 1867). À época o maquinário estava predominantemente na fábrica, entretanto, hoje ele se encontra em todo o processo, por isso, a extração está sob o controle da burguesia, não sendo os homens que o mediam, regulam e controlam, mas alguns pouquíssimos homens, que detém a tecnologia e os meios de produção. A Burguesia domina a Extração.
Produção:
Até mais do que na Extração, a questão da dominação burguesa sob o proletário é clara. Annie levanta a questão das mulheres em idade fértil que trabalham com toxinas contra a fertilidade e pergunta “Quais mulheres fariam isso a menos que não tivessem nenhuma opção?”. Fato. Quem trabalharia com algo prejudicial a sua saúde a menos que não tivesse opção? Falta de opção. Fundamento de outra razão para a funcionalidade do capitalismo. Marx utiliza a idéia de Exército de Reserva, ou seja, o desemprego estrutural das economias capitalistas. Aqueles desempregados, à margem do capitalismo, que, constantemente, ameaçam todo o proletário, uma vez que abraçariam as chances de um emprego a qualquer custo, colocando os outros trabalhadores sobre medo constante da perda do emprego. O Exército de Reserva é a moeda de troca da burguesia, caso não se aceite uma condição de trabalho, há outros que assumiriam felizmente sua posição, o que garante os interesses da burguesia.
A Burguesia, então, domina a Produção.
Distribuição:
O exemplo mais claro das idéias marxistas na distribuição é a decorrência da mais-valia. A mais-valia é a diferença entre o lucro real das vendas das mercadorias e aquilo que é pago àqueles que as produzem. Apesar desta idéia não estar expressa no vídeo, é uma realidade clara: Aqueles que produzem um tipo de mercadoria, muitas das vezes, não podem pagar por ela, porque os custos da produção foram externalizados, ou seja, os custos foram jogados a uma terceira parte, no caso, o proletário. Ou seja, a mais-valia e a externalização de custos agravam o poder real de consumo do proletário, a burguesia ganha duas vezes.
A Burguesia domina a Distribuição.
Consumo:
Bem além daquilo encontrado no Manifesto e no vídeo, a relação do marxismo com o Consumo está intimamente ligado a uma escola de pensamento, intitulada Escola de Frankfurt, que foi extremamente influenciada pela ideologia Marxista. Esta Escola é responsável por grande parte das idéias a respeito do Consumo de Massa, idéia abraçada abertamente pelo Presidente Estadunidense Eisenhower, como o Modo de Vida Americano (American Way of Life), ou seja, consumir passou a ser um estilo de vida. Todos os laços foram rompidos e restou apenas o desejo de possuir mais. A Cultura de Massa, nivelando as grandes obras por baixo (a exemplo dos “clássicos da Disney”, onde não há finais ruins) permitiu que o acesso destas obras deturpadas ao povo, alienando e, ao mesmo tempo, promovendo a ideologia capitalista do consumo.
Finalmente, a Burguesia obteve controle do Consumo.
Tratamento do Lixo:
Não acho que Marx era um extremista natureba. Logo… O Ciclo fica sem defesa aqui. [Where are the damn green peace guys!]
vc escreve MUITO bem…