Belo Horizonte tem uma magia peculiar que nos embriaga rapidamente. Ou seja, temos duas opções, assim como a embriagues real, nos apaixonamos por ela, ou a odiamos completamente. Claro, isto acontece no foro mais íntimo possível e quando exteriorizamos nossa decisão podemos parecer indiferentes e indecisos, mas somente para gerar efeito. Não há opção. Há um amor entusiasta ou um ódio macabro. Nem mais, nem menos.
Seja pela luz artificial, pela animosidade descarada ou pelo mau cheiro, somos atraídos como as mulheres aos vagabundos, como os homens à morte. Em um ritmo lento e cadenciado, fatal aos corações daqueles que nunca amaram a nada. As ruas desembocam em mundos, e os mundos em estrelas, tão maiores que a própria noite parece extinguir-se envergonhada de nós. Estrelas estas que fazem queimar em nós a última espécie de idolatria silenciosa. Somos apenas partículas microscópicas frente à imensidão cinza e luminosa que se estende pelas serras ao redor. É um conforto estranho, ver-se insignificante e abraçar calorosamente este adjetivo.
Nesta cidade, somos frutos de outros ventres que não os de nossas mães, somos fruto do mundo, de um povo, sentimentos que só os embriagados entendem. Coisas que só a visão turva pode nos proporcionar: O encanto, naquilo que nunca teve; Vida, naquilo que nunca poderia ter; Amor, por aquilo que não deveria ser amado. Eis ai, o que Belo Horizonte nos dá: Identidade. Porque talvez não fosse mister amar uma cidade, mas ela nos faz amar. E talvez não pudéssemos admitir o quanto somos apaixonados por tudo, se não fossemos tão insignificantes quanto ela nos proporciona ser.
Embriagado, agradeço, se um dia a cidade me abraçar também.
(E vai ter cachaça em outro lugar, meu Deus!)
de fato, poetas amam demais. hahahaha
Que bom que vc voltou a escrever…dá para dedicar um texto ao sanduiche do subway…amei!