A fé dos homens é baseada no inevitável, sempre. Não temos fé pelo acaso, pela chance. Temos fé pela certeza. Por uma convicção absoluta e irrefutável de que chegaremos a um fim. A fé é uma luz ínfima em uma imensidão de escuridão que cerceia a estirpe dos homens de Adão e Eva. Uma escuridão tão profunda que não conseguimos disfarçar o quanto ela faz parte de nossas almas, o quanto ela inunda e cativa nossos pensamentos, o quanto estamos em perigo conquanto estivermos sozinhos em espírito. Somos criaturas insolentes, desafiando a própria natureza da criação, que é a vontade de viver, porque na solidão, quando tudo está escuro, esta vontade morre em nós. Temos fé porque sabemos o que pode nos acontecer no escuro e os dotados de bom senso não desejam se perder.
A fé se desmancha perante a incerteza. Quando nos colocamos frente a frente com situações em que não podemos prever, quando nos deparamos com o destino cara a cara, quando não há nada mais o que ganhar, mas tudo a perder, toda a fé se dissipa. Quando a miséria torna-se cotidiana e nossa mente não se incomoda com homens revirando os lixos, mulheres vendendo sua dignidade e as crianças dissipando-se na infelicidade de todo tipo de aviltamento ao corpo e a mente, nossa fé nos abandona. Quando o extermínio de irmãos, o assassinato de inocentes e o gozo da guerra tomam nossos lábios, nossa fé nos abandona. Porque todo o mal é incerto, caótico, e a fé não pode vencer o caos. A incerteza da guerra, o horror da miséria e a obliteração da vontade, tudo o que pode fazer com que a fé desapareça é resultado do não saber, da falta de conhecimento. Bacon que me perdoe, mas é verdade: Conhecimento é tudo.
Quando todos os homens puderem ver claramente, dissipando a escuridão com uma nova fé que muito mais ilumina que a fé em crenças criadas para disciplinar, por uma fé na luz do conhecimento, que é aquela que liberta, nenhuma luz se extinguirá adiante. O caminho tornar-se-á límpido e as artes e as letras tomarão lugar da miséria e da guerra. Teremos novas resoluções, novas diretrizes, que não impedirão que o mundo cresça, porque já não teremos mais medo do desconhecido, mas o abraçaremos. O fim ainda será inevitável, mas por motivo algum o temeremos. A luz do conhecimento é a virtude dos tempos que estão por vir. Talvez não seja hoje, mas algum homem ouvirá o que vários tem gritado por séculos, os gritos de Hugo, de Rousseau, Aristóteles. Afinal, infelizmente, há homens que nascem póstumos.
alguns textos seus exigem muito conhecimento prévio. uhauhhau
hahaha. Sim! Como ler Rousseau. O cara é foda mano.
Mto massa o texto !