Um dos meus maiores sonhos, desde meus quatorze anos, talvez, é andar pelas ruas e ver as cores do Brasil durante todo o ano, o verde e o amarelo estendido pelas janelas, bandeiras arqueando sobre a rua. Pessoas gritando “Brasil!” sem nenhum motivo aparente, sorrindo descontraídas, fazendo festa por nada. Queria ter orgulho, sem que alguém fizesse piada ao meu lado, daquelas de mau gosto, sobre a politicagem medíocre que acontece por aqui. Queria ser cidadão de uma nação livre, livre de preconceitos, livre do domínio das mídias, que pudesse optar por sua educação, ou que simplesmente tivesse uma educação, não somente acadêmica, mas civil e social. Queria ser brasileiro todo dia, quando acordasse, quando almoçasse, quando dormisse. Queria viver para que cantássemos o hino nacional pelas manhãs, hasteando a bandeira ao céu anil, sob o cruzeiro, sob esta abóbada maravilhosa que Deus nos presenteou. Queria que todos compartilhassem as vitórias no congresso, não somente meia dúzia de cobras que se colocaram ao sol da capital federal, ameaçando envenenar os que se aproximam demais. Queria amar minha pátria sem ser recriminado, sem ser taxado de idiota, mas de patriota. Queria que meu grito fosse respondido por mil vozes! Que responderiam de novo com mil vozes, até que todo o povo fosse apenas um grito inimitável, um brado heróico e inabalável, um grito que diria: Tenho orgulho!
Mas somos brasileiros por apenas três semanas a cada quatro anos. Fazer o que, é uma felicidade tímida que me faz sentir envergonhado, mas a tenho. Mesmo que eu não a tivesse, a própria festa é motivo de alegria. Somos todos filhos da mesma terra, e apesar de tudo, é isso que importa, mesmo que seja a cada quatro anos…
Aplausos Fran!